sábado, 30 de novembro de 2002

hoje acordei mudada. sou só uma sombra. é verdade que a vida é processo, anda-se um passo por dia, por hora, por minuto, mas de repente, não mais que repente parece que o mundo desaba sobre a cabeça da gente. são as forças que se exaurem.... e, a mão que segurava, desaba e tudo cai. como o provérbio chinês diz "se um homem tomba dez vezes deve erguer-se no mínimo onze", estou juntando o que sobrou e tentando levantar. penso, nesse momento, que o melhor é levantar sozinha, assim a gente se acostuma com a caminhada solitária. e de repente, me lembro de vinicius.... e vou transcrever aqui, para mim mesma.

Soneto de separação

De repente do riso fez-se pranto
Silincioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não nais que de repente.

No dia em que fiquei de novo, mais só do que os veleiros nos portos silenciosos. Até breve, gente. Bia eu te amo. Esteja você em Campinas, Macapá ou sei lá onde.